Tenho gritantes silêncios
na palma da mão,
marés vivas no olhar
e gritos de revolução.
Sinto-me um laivo de ira
pairar nos lamentos do vento.
amarga fúria de vencer
que quase não aguento.
sou vulcão de carne
vermelha -como o sangue-
que escorre na voz da indignação:
peça de transição dum mangue.
Nunca me deixo ficar pela época natalícia para desejar saúde, paz, sorte e demais votos a quem eu considero; sejam familiares ou amigos. Mas também não o deixo de fazer nesta altura.
Que as estrelas vos indiquem o carreiro da alegria. Que elas vos façam sentir que vale a pena ser e estar.
Para todos, os meus sinceros votos de Boas Festas.
De mim, que nunca vos esqueço.
- Truz truz!
- Quem é?
- Sou eu, o tempo.
- Ah! Entra, 45, entra e sê bem vindo!
Ontem senti-me cheio:
Cheio de sol, cheio de mar. Ontem senti-me cheio de sol pelas estrelas que me acompanharam; ontem senti-me mar, pelo vazio que deixou quem já foi.
Ontem senti-me tanto...
Mas não foi esquecida a pessoa que carrego nos genes, nem fui esquecido por quem carrega os meus.
Lembrei-me do dia em que nasceram os meus rebentos e a mistura de sentimentos que se sente nessa incomparável altura: a do nascimento de um filho.
Lembrei-me que o mesmo sentimento teria tido o meu pai quando me viu pela primeira vez.
Ontem recebi mimos e senti-me cheio de tanto... Ontem não os pude dar também a quem queria e senti-me cheio de nada...
Para si, meu pai... a certeza que não foi esquecido e um beijo a pairar nesse espaço cósmico onde habita.
Para vós, minhas filhas... a certeza que tem aumentado o amor que vos tenho e um beijo a pairar neste espaço que enfeitam de flores ao caminhar.
A si, meu pai e a vós, minhas filhas, um muito obrigado por me encherem de tanto!
O meu amigo e colega de trabalho, de nome Fernando Costa, faleceu.
É engraçado como nunca deixamos de nos alhear da morte, por mais que queiramos; afinal ela vive permanentemente ao nosso lado. É uma faca afiada que nos corta os sorrisos e as alegrias; é uma ponte derrubada que nos impede de continuar as vivências adquiridas; é uma nuvem negra que suja o céu e não nos deixa saborear a alegria de ver os raios de sol em forma de amigos, parentes...
-O Costa morreu, João! - assim me comunicou o Jorge de Matos, também amigo e colega de trabalho.
Somos tão frágeis, tão nada...
É certo que ele estava a sofrer e para o Costa a morte foi uma benesse, mas...
- Deixa, companheiro... Um dia voltaremos a rir das nossas tolices, das brincadeiras que nos deixavam com o aroma a alegria na alma.
Vou sentir falta da tua integridade, da tua nobreza de ideais e da forma sempre coerente com que os defendeste.
Vou sentir falta do teu sentido de humor;
Vou sentir falta da tua companhia...
Dorme em paz, Costa; afinal também eu caminho numa estrada em tua direcção e um dia voltaremos a sorrir juntos!
Soam as palavras a esperança,
A carinho e amor sentido,
E sorriem as faces, apesar das dores
Que nesta quadra se cobrem
Com vestimentas de esperança.
Lembram-se os pobres e necessitados
Os sem abrigos que recebem sopas
E iguarias quentes de mãos generosas.
Surgem cumprimentos afectuosos
E abraços impregnados de fraternidade
Apelando à irmandade e solidariedade.
Ah! Se fosse natal todos os dias…
Ás minhas filhas, pilares da minha existência,
Que me fazem pensar que o mundo também tem flores
E que não há só nuvens cinzentas no céu,
Que me sentem e me fazem senti-las
E me enchem de amor com seus beijos de andorinha…
Aos meus sobrinhos, estrelas deste meu firmamento,
Que do meu sangue comungam
E me fazem sentir gente duplamente
Quando me envolvem com as suas carícias de mel…
A quem que me inunda com a dádiva do coração
E com a entrega total... outra parte de mim
e apoio sempre presente.
Aos meus amigos, aqueles que não saíram
E que me apoiaram nos dias menos bons,
Nos momentos de dificuldade,
Nas horas tristes e de indignação…
A todos esses, que a sorte os envolva sempre
E os festejos natalícios se estendam
Pela vida fora!
Um beijo especial para si, meu pai, que não está presente na vida mas eternamente vivo na memória.
Desejos de Bom Natal e que os presentes recebidos suplantem o desejado.
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